segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Todor [12]

E mais uma gravura do Toše Proeski. Hoje, faz dez anos que ele se foi, então fica aqui mais uma homenagem.




[a matriz é de linóleo, 9 x 9 cm; os papéis são os habituais "cerca de" 10 x 15 e algumas cópias em papel de origami 15 x 15]

É um pouco difícil de explicar no Brasil, mas essa dedicação à memória do Toše é muito comum nos Bálcãs. Ele era/é extremamente querido na região, em especial na Macedônia natal; só isso que consigo dizer.

Те сакам и ти благодарам многу!

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Estudo de anatomia do rato

Olá, galera!

Eis um esboço básico e inicial de estudos de anatomia do rato (Rattus norvegicus):

[azpainter - 2017]

"Básico e inicial, Viviam? Pára com essa falsa modéstia!" - Não é falsa modéstia, ow. Não sou bióloga nem veterinária, mas não é por isso que eu vou deixar de fazer as coisas direito. Pelo contrário! Esse foi um trabalho relativamente rápido (uma hora e meia? Duas? Não lembro bem) que fiz ontem no nosso obscuro e querido software livre AzPainter. Mesmo que seja um esboço de anatomia "de" e "para artistas", sem muita precisão ou detalhamento, ainda há muito o que acertar - em especial as proporções e a posicão dos olhos/nariz/boca/orelha (principalmente orelha).

Cada camada do desenho é uma camada do bichinho: fiz esquema do esqueleto, de alguns músculos, a pele (duas camadas, uma com toda pele, outra com a parte visível em um espécime felpudinho), os pelos e mais uma para detalhes extras. Nesse print, deixei visível o pelo + detalhes + a parte visível da pele + os ossos.

Ainda que tenha MUITO a melhorar, achei que ficou suficientemente bacana para fazer uma postagem! Parece-me bem promissor, e adoraria não só refazer o rato com maior precisão, como também fazer esquemas de outros animais.

Obrigada a todos que acompanham. Espero trazer mais posts interessantes em breve!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Columba livia - WIP

E mais um desenho do curso de introdução à ilustração científica, do Paulo Presti - desta vez, o tema era "aves em lápis de cor".


[lápis de cor sobre papel - c. A4 - 2017]

Ok, na verdade é um trabalho em andamento. Só nas explicações iniciais e pra esboçar o contorno (resolvi fazer no modo hard) levou umas três horas. Para o preenchimento até esse ponto, entre tempo de curso e alguns momentos em casa, devo ter levado umas dez horas... é só pra vocês terem uma ideia do trabalho que dá :). Vamos ver quando eu termino!

Columba livia é o nome científico da nossa modesta pomba-doméstica, tão comum por aí na cidade. Achei engraçado que muita gente ainda não tinha notado a iridescência da horinha que elas têm no pescoço (e que foi uma das partes mais díficeis de colorir). Reparem nisso daqui pra frente :).

Meus agradecimentos ao professor Paulo pela orientação, e a todos os envolvidos no curso. É muito ótimo ter essas oportunidades :D!


Ratos de estimação - esboços

Uma das práticas que mais recomendo ao desenhar animais é: por mais difícil que seja, tente desenhar a partir do modelo vivo. E, por vivo, nesse caso, entenda muitas vezes "se mexendo de um lado para o outro além de nossa vontade". Mesmo o bicho que está em uma baia ou em casa vai se mexer; quem nunca tentou retratar um gato dormindo só pra vê-lo acordar e ir embora na hora que o caderno e o lápis estão a postos?

Mesmo que você vá depois estudar a anatomia (e isso vale para animais extintos - estude o modelo vivo a partir dos parentes mais próximos, ou animais de estutura semelhante!), usar fotos, fazer algo acabadinho com calma, ou por outro lado fazer um cartoon - não existe nada como captar a vivacidade dos movimentos de um animal de verdade na sua frente. Aprende-se muito, conhece-se o comportamento, com o tempo até começamos a prever as poses, e em alguns casos o animal também começa a nos observar, curioso também. Além disso, há todo aquele exercício de paciência e aceitação - em relação ao bicho, ao desenho e a nós mesmos (mas que frase marota, hein?).

Os começos são sempre modestos, pra não usar a palavra certa que é tosco, e mais ainda quando se trata de um táxon com o qual não estamos acostumados. Não me lembro de ter desenhado intensivamente ratos até esse ano, acho que não vai aparecer um único nos arquivos desse blog - de roedores, só porquinho-da-índia e as onipresentes paulistanas capivaras zen. Mas vamos mudar isso. Agora. Eis aqui um bocado de esboços rápidos, feitos a partir de modelos vivos, bem vivos - os desenhos mais detalhados são dos coisinhos se alimentando ou cochilando. Por favor, apreciem!

Espero que sirva de incentivo a todos que estão desenhando ^^


[lápis sanguínea sobre papel - c. A5 - 2017]






[caneta nanquim sobre papel - c. A5 - 2017]




 [desenho digital - os esboços são a partir do modelo e a colorização foi com calma no computador - 2017]
 



[grafite sobre papel - c. A5 - 2017]

Obrigada a todos que chegaram até o final do poste :) obrigada mesmo, cês não sabem o trabalho que deu escanear, tratar, redimensionar e colocar marca-d-água nessas figuras todas xD :)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Concha - grafite - agora é sério

Finalmente tive a oportunidade de fazer um curso de ilustração científica e desenhar cientificamente com a Supervisão de um Adulto™ ^_^


[grafite sobre papel - A4 - 2017 - vou deixar a visualização já maior porque sim]

Eu ~acho que é uma Pugilina - agora se P. morio ou P. tupiniquim eu já não vou saber. Eu já havia a desenhado antes, mas a cada desenho a gente olha com mais detalhes, repara em mais coisa pra admirar... e conhecer alguns truques e técnicas da ilustração científica ajuda muito nisso!

Usei diversos lápis grafites (6B, 4B, 2B, HB, H, 2H). Eu nem sabia pra quê lápis H tão duro servia, mas agora sei que serve pra muita coisa. A expectativa era: fazer as camadas aos poucos e certinho - primeiro 6B, depois 4B, etc, até o 2H. Realidade: fui trabalhando alternando pares - o 6B e 4B, depois o 2B e HB, e por último H e 2H. Um pouco de caos dinâmico é sempre legal, né.

Não contei quantas horas levei, mas, olha, foram TANTAS que ainda estou me recuperando xD

Ainda tem um ou outro ponto a melhorar mas... estamos aí!

Agradecimentos ao André (Sesc-SP) pelo apoio que me levou ao curso, ao Paulo Presti pela orientação, ao namorado pelo suporte logístico (e geral), mãe pq né, à lesminha que fez essa concha e a todo mundo que entende um dos meus motivos pra eu sair tão pouco de casa (esses trens demoram e cansam)

Obrigada!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Inkayacu e as cores dos pinguins

Olá, pessoal!

Não sei se vocês repararam, mas já faz quase um ano que minhas postagens aqui são:

- Dinossauros (meu lado cientista)
- Gravuras do Toše (meu lado adolescente balcânica)

Bem, se considerarmos que aves são dinossauros, aí já passou um cadinho de um ano :). E vamos continuar a contagem, pois a figura hoje é um pinguim pré-histórico.


[grafite sobre papel - detalhe de um trabalho em A4 - 2017]

- Pinguim é tão fofinho! (pessoa olhando o desenho)
- Fofinho nada, esse aí tem seu tamanho (cerca de 1,5m, bem a altura da pessoa em questão)

O Inkayacu paracaensis foi descrito em 2010. Viveu onde hoje é o Peru há 36 milhões de anos atrás - mesmo assim, já era relativamente parecido com pinguins modernos. Entre as principais diferenças, temos o tamanho do bico e a coloração.

E dá pra saber a coloração, Viviam?

Saber, sabeeeer assim temos limites, mas dá pra fazer uma estimativa bacana sim. Algumas penas do Inkayacu foram preservadas - e tão finamente que é possível detectar estruturas microscópicas chamadas melanossomos, que são um dos fatores responsáveis pela coloração das penas. E, a partir daí, descobriram que muitas penas do Inkayacu eram... cinzas e castanhas?


[grafite sobre papel + azpainter - A4 - 2017]

É, gente, cinza e castanho. Castanho avermelhado até.

Mas nessa hora que entra a arte ~da arte. As penas testadas eram das asas e uma pena fofinha isolada não se sabe exatamente de onde. É a partir desses dados que podemos estimar as cores do bicho! Algumas reconstruções retratam o Inkayacu todo cinza nas costas e castanho na barriga. Ainda que eu goste muito de especulações em paleoarte (e vocês estão livres pra fazer as suas em casa), preferi fazer um pinguim mais próximo do convencional, pois o padrão barriguinha bem clara/costas escuras é muito vantajoso como camuflagem na água. As penas vermelhas teriam assim uma distibuição mais restrita, resultando assim em um padrão mais próximo dos pinguins modernos: claro + escuro + um colorido a mais de enfeite porque, enfim, aves né.

E, como se esse pinguim não pudesse ser mais legal, seu nome vem do quechua e quer dizer "imperador da água".

Espero que vocês tenham gostado do post de hoje. Obrigada pela leitura e até mais!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Sobre memórias

Vocês sabem que o Brasil tem um IgNobel por um trabalho a respeito do impacto dos tatus na arqueologia. Eles cavam túneis e bagunçam todas as camadas. Então um artefato, um caquinho antigo pode ir para superfície e parecer mais recente. E outro caquinho de ontem mesmo pode se afundar para dois mil anos no passado.

Revisitar o que aconteceu ou deixou de acontecer, com um bom som no fone de ouvido, tem sido mais ou menos isso para mim...